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Audicon manifesta apoio a projetos legislativos que visam a promover equidade de gênero no Tribunal de Contas da União

A Associação Nacional dos Ministros e Conselheiros Substitutos dos Tribunais de Contas manifestou apoio institucional a iniciativas legislativas voltadas à promoção da equidade de gênero na composição do Tribunal de Contas da União (TCU). As Notas de Apoio referem-se ao Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 152/2026, em tramitação na Câmara dos Deputados, e ao PDL nº 156/2026, no Senado Federal. Ambas as propostas apresentam conteúdo convergente e buscam estabelecer diretrizes que incentivem maior equilíbrio de gênero na Corte de Contas, ao estabelecerem que a cada duas vagas para Ministro do TCU, cujas indicações couberem ao Congresso Nacional, ao menos uma deverá ser uma mulher. Para a Audicon, as iniciativas se inserem em um contexto mais amplo de fortalecimento das instituições democráticas e de aprimoramento da representatividade nos órgãos de controle externo. As propostas enfrentam um cenário ainda marcado pela sub-representação feminina em cargos de alta decisão e estão alinhadas com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 5 (ODS 5) da Agenda 2030 da ONU. Nesse sentido, a Audicon ressalta que o avanço dessa agenda exige medidas concretas e contínuas, capazes de enfrentar barreiras estruturais ainda presentes nos processos de composição da dos cargos públicos, inclusive das Cortes de Contas. Ao manifestar apoio aos projetos, a Associação reafirma seu compromisso com o fortalecimento do controle externo e com a promoção de uma governança pública mais plural, equitativa e representativa. Confira a seguir, as Notas de Apoio encaminhadas aos presidentes da Câmara dos Deputadas e do Senado Federal:

Diretoria e Conselho Fiscal do Instituto Rui Barbosa tomam posse para o biênio 2026–2027

Foi realizada nesta terça-feira (25), às 16h, no Auditório do Condomínio ION (SGAN), em Brasília (DF), a Solenidade de Posse da Diretoria e do Conselho Fiscal do Instituto Rui Barbosa (IRB) para o biênio 2026–2027. A cerimônia reuniu membros dos Tribunais de Contas, representantes de entidades do sistema de controle externo, autoridades e convidados. O ato solene simbolizou a transição para a nova gestão, que assume com a missão de dar continuidade às ações voltadas ao desenvolvimento institucional, à produção de conhecimento técnico e ao fortalecimento das atividades de capacitação e pesquisa promovidas pelo Instituto. A solenidade contou com a presença de diversas lideranças do controle externo brasileiro. Entre elas, destacou-se a participação da Presidente da Audicon, Conselheira Substituta Milene Cunha, cuja presença evidenciou o alinhamento e a cooperação entre as entidades representativas dos membros dos Tribunais de Contas. Durante a cerimônia, foram enfatizadas as perspectivas e diretrizes que nortearão o novo biênio, com foco na inovação, na qualificação técnica e na integração institucional. Os dirigentes empossados reafirmaram o compromisso com a excelência, a ética e o aprimoramento contínuo do controle externo. O evento reforçou o papel estratégico do Instituto Rui Barbosa como referência nacional na disseminação de boas práticas, no incentivo à pesquisa aplicada e na consolidação de iniciativas voltadas ao aperfeiçoamento da administração pública.

Consciência negra e luta antirracista, por Luiz Henrique Lima

No Brasil, o racismo não se limita às sombras da ignorância. Ele se disfarça de protocolo, de preferência estética, de “perfil de cliente”. Está nos olhares que vigiam, nas portas que não se abrem, nas oportunidades que não chegam. No Dia da Consciência Negra, é preciso mais do que registros protocolares: é necessário escancarar as estruturas que sustentam essa desigualdade secular. Como apontei em artigos anteriores (a exemplo de “Onde se aprende o racismo?” e “Cinquenta tons de racismo”), o preconceito não é inato — ele é ensinado, reproduzido e naturalizado desde a infância. Está nos livros escolares que omitem a história de Zumbi e de outros heróis negros, nos brinquedos que ignoram a diversidade, nas piadas que disfarçam agressões. E está, sobretudo, nas práticas cotidianas que negam dignidade à população negra. A recente pesquisa do Instituto DataRaça, em parceria com o Instituto Akatu, revela um paradoxo cruel: os consumidores negros movimentam cerca de R$ 2 trilhões por ano, mas 34,8% relatam ter sofrido racismo ao consumir. Em lojas, shoppings e supermercados, são frequentemente tratados como suspeitos, subestimados ou invisíveis. Nesses ambientes, o racismo é velado — 72% dos casos são difíceis de comprovar ou denunciar. É o que chamei certa vez de “a caça ao jovem negro”: uma vigilância seletiva que transforma o ato de comprar em um campo minado de humilhações. O atendente que oferece automaticamente o produto mais barato, o segurança que segue o cliente pelos corredores, o gerente que presume que o cliente não pode pagar. Quando ainda não era famoso, o consagrado cantor Djavan foi visto como assaltante ao tentar comprar um piano elétrico em uma loja, sendo humilhado e preso por algumas horas após a polícia ser chamada. Como bem disse Emicida, se você é um jovem negro numa cidade brasileira, “o táxi não para, mas a viatura sim”. Tudo isso revela que o racismo não é apenas um preconceito dissimulado — é uma prática institucionalizada. Mas há resistência. A pesquisa mostra que 37,4% dos entrevistados valorizam marcas com postura antirracista, e 24,6% deixaram de consumir em lojas percebidas como racistas. Isso é consciência negra em ação: é o poder de escolha como ferramenta de transformação. É o consumidor/cidadão que exige respeito, representatividade e reparação. Celebrar o Dia da Consciência Negra é reconhecer que o racismo não é um problema entre negros e racistas — é um problema de toda a sociedade. É entender que o combate ao racismo não se faz apenas com discursos, mas com políticas públicas, educação antirracista, inclusão econômica, representatividade política e justiça social. É lembrar que não basta rejeitar o racismo: é preciso enfrentá-lo com postura antirracista. Cumpre saudar iniciativas de alguns Tribunais de Contas sensíveis a este tema, a exemplo – sem a pretensão de ser exaustivo – dos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pará. Sem dúvida, os órgãos de controle externo podem contribuir muito. Que o 20 de novembro não seja apenas um feriado no calendário, mas um marco na luta por um Brasil onde a cor da pele não determine como uma pessoa será tratada, desde o parquinho infantil até o estabelecimento comercial ou órgão público. Respeito e dignidade para todos, todos os dias! Luiz Henrique Lima é professor e Vice-presidente de Controle Externo da AUDICON.

A vaga que nunca existiu: Mais de três décadas se passaram desde a promulgação da Carta de 1988. A Bahia ainda deve ao país e a si mesma o cumprimento de um mandamento constitucional básico. O Supremo tem, mais uma vez, a chance de romper o ciclo da omissão

Há silêncios que pesam mais que palavras. E a omissão da Assembleia Legislativa da Bahia em criar o cargo de Auditor no Tribunal de Contas é um desses silêncios que ecoam há décadas, como se a Constituição de 1988 tivesse sido escrita para todos, menos para o Tribunal de Contas do Estado da Bahia. O Supremo Tribunal Federal, mais uma vez, se vê diante de um dilema que não é apenas jurídico, mas também histórico. A Constituição Federal exige que os tribunais de contas tenham Auditores — os chamados Conselheiros Substitutos — para equilibrar a composição dessas cortes, dar-lhes pluralidade e assegurar a simetria com o modelo federal. Mas na Bahia, o assento reservado nunca saiu do papel. O tempo passou. Em 2021, o STF já havia declarado inconstitucional a prática de servidores técnicos substituírem conselheiros, e fixou prazo para a criação do cargo. O prazo se esvaiu. A omissão permaneceu. E agora, diante da morte de um conselheiro, o vazio institucional cobra resposta. No julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão 87, o relator, ministro Dias Toffoli, reconheceu a mora legislativa, mas admitiu uma exceção: permitir ao governador preencher a vaga por livre nomeação. O ministro Flávio Dino, em voto divergente, também abriu espaço para a nomeação, mas apenas depois da aprovação da lei que cria os cargos. Duas leituras, duas portas entreabertas, ambas com o mesmo risco: transformar a exceção em regra, e a regra em letra morta. A Audicon, associação que representa os Auditores, alerta para o perigo iminente: se a vaga destinada a essa categoria for ocupada, ainda que provisoriamente, por indicação política, cria-se um precedente que não se fecha nunca mais. Outros estados poderão se inspirar na omissão baiana, e o que deveria ser transitório se tornará estratégia. O paradoxo é cruel: para suprir a ausência de Auditores, admite-se ignorar a razão pela qual eles deveriam existir. É como remediar o vazio com mais vazio, como se fosse possível consertar um silêncio com outro silêncio. O STF já enfrentou dilemas semelhantes. Em decisões anteriores, preferiu manter cadeiras vazias a permitir que fossem ocupadas por quem não tinha assento reservado pela Constituição. Como bem alertou o saudoso Ministro Sepúlveda Pertence quando do julgamento da ADI 3276/CE: “Ninguém vai morrer se o Tribunal de Contas do Ceará ficar com seis conselheiros. Agora, se Vossa Excelência deixar essa norma transitória, ela nunca se vai exaurir”. Essa firmeza obrigou estados relutantes a cumprir a lei. Foi assim no Ceará. Foi assim no Distrito Federal. Por que não seria assim na Bahia? Se há algo que a história ensina é que omissões, quando aceitas, tendem a se perpetuar. A cadeira destinada aos Auditores no TCE-BA é uma espécie de fantasma constitucional: todos sabem que existe, mas nunca foi ocupada. Agora, diante da oportunidade de corrigir o descompasso, o risco é que se insista em arranjos paliativos, que só adiam a solução e corroem a autoridade da própria Constituição. Mais de três décadas se passaram desde a promulgação da Carta de 1988. A Bahia ainda deve ao país e a si mesma o cumprimento de um mandamento constitucional básico. O Supremo tem, mais uma vez, a chance de romper o ciclo da omissão. A história cobrará se essa chance for desperdiçada. Por João Marcos Fonseca de Melo e Milene Cunha. Publicado no dia 21/08/2025, no Blog do Fausto Macedo, Estadão. Disponível em: https://www.estadao.com.br/politica/blog-do-fausto-macedo/a-vaga-que-nunca-existiu/ Disponível para download: